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Marcelo Sicoli


Como é a atuação dos CRECIs em desastres como o do RS

Especialistas do CRECI-DF entendem que o órgão deve ir além de campanhas de doações em dinheiro. Transformar as sedes em pontos de coleta de mantimentos e roupas, bem como avaliar gratuitamente imóveis danificados são opções

Por Leonardo Santos* e Marcelo Sicoli**
14/05/24 12:12 - Atualizado há 1 ano
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Homem corretor de imóveis veste terno azul marinho e gravata segura chaves enquanto faz anotações em prancheta
Doações em dinheiro claro que são bem-vindas, mas CRECIs podem fazer mais para contribuir com a população afetada pelas enchentes no RS
iStock

Já nos primeiros dias da crise climática histórica que atinge o Rio Grande do Sul, instaurada em maio de 2024, nos perguntamos: O que os CRECIs e seus corretores de imóveis podem fazer? 

  • Acompanhe: Guia Especial Enchentes no RS

Em uma visão imediata pensamos que as autoridades públicas e forças armadas darão conta de atender a população em estado de vulnerabilidade. No entanto, a presente mobilização da sociedade civil tem se mostrado de crucial importância como força auxiliar ao Estado.

Dessa forma, traremos a seguir reflexões acerca da atuação dos CRECIs em situações de desastres que impactam diretamente a população civil.

História dos CRECIs e sua função

Os CRECIs são os Conselhos Regionais de Corretores de Imóveis. Criado oficialmente em 1962, o órgão surgiu para regulamentar e fiscalizar a  atividade dos corretores de imóveis e imobiliárias de forma a trazer transparência e lisura a esse ramo empresarial.

  • Leia também: Condomínios e corretor de imóveis: 12 dicas para boa relação

Hoje, todos os 27 estados brasileiros possuem um conselho regional localizado nas respectivas capitais e delegacias regionais nos principais municípios de sua jurisdição. 

Como autarquia pública federal, segue normas bem rígidas de atuação e controle externo (CGU, TCU, Ministério do Trabalho etc).  Além das atividades regulamentares, estes CRECIs desenvolvem treinamentos e palestras, ações sociais, atividades esportivas, clube de benefícios e convênios para seus inscritos em todo o Brasil. 

Como os CRECIs podem contribuir em desastres naturais

No flagelo gaúcho e em outras catástrofes naturais ou calamidades públicas, como por exemplo acidentes em usinas, rompimento de barragens, incêndios, enchentes, acidentes aéreos ou navais, epidemias, grandes correntes migratórias como em Roraima, crises de abastecimento ou mesmo a retomada do fantasmas de guerras regionais ou mundiais, toda esta capilaridade (presença em todos estados) e um efetivo de 600 mil profissionais cadastrados em todo Brasil podem, a partir de seus próprios estados, intervir positivamente.

Exemplos

Além da atuação de baixa criatividade e esforço de simplesmente repassar contas para depósitos em dinheiro de prefeituras ou entidades privadas destinadas ao apoio da população e reconstrução das cidades destruídas, o segundo nível seria ativamente coletar mantimentos e roupas para subsequente transporte direto ou mesmo repasse para forças de segurança que normalmente o farão.

Registramos que, em Brasília, filas de carros se formaram na Base Área em conexão com a divulgação por parte da Aeronáutica neste sentido e o expressivo quantitativo arrecado. 

Auditórios dos CRECIs podem ser cedidos para reuniões da sociedade civil e autoridades públicas envolvidas na assistência da calamidade. 

Um terceiro nível, mais avançado e mais específico, refere-se à avaliação de imóveis danificados, como feito em 2023 pelo CRECI-SP no município de São Sebastião, em São Paulo.

Peritos avaliadores voluntários emitem laudos, de forma gratuita, para encaminhamento para seguradoras ou órgãos públicos que eventualmente arcarão com reparos ou indenizações. Esta etapa entra em ação depois que a fase mais crítica de resgates e assistência básica já cessaram. 

Porém, de forma inédita no Brasil, e que se pode ser feita no estouro da crise, é a reunião de informações junto as imobiliárias e corretores locais dos imóveis naquela região disponíveis para ocupação e obviamente não localizadas nas áreas afetadas.

Estes profissionais seriam instados a cadastrar em determinado portal/aplicativo, casas, apartamentos, imóveis rurais ou galpões industriais/logísticos para instalação temporária de autoridades públicas (policiais, bombeiros, militares, médicos, veterinários etc) de outros estados que se deslocam para região de crise para prestar assistência ou mesmo para os milhares de desabrigados e infinitos animais de pequeno e grande porte. 

Por curto período, acreditamos que muitos proprietários disponibilizariam seus imóveis gratuitamente ou por custo bastante reduzido. Porém, naturalmente, a iniciativa já deveria ser desenhada antecipadamente. Como diz o ditado: “Telhado se conserta durante dias de sol”. 

  • Veja também: Placas de imobiliárias em condomínios: ajudam ou prejudicam?

Estratégias internacionais como alternativas para o Rio Grande do Sul

No tocante a experiências internacionais do campo militar, veio à mente as grandes bombas de drenagem da Água do Mar pelo exército israelense a fim de inundar túneis usados por grupos radicais.

Equipamento parecido deveria ser desenvolvido e aperfeiçoado por empresas brasileiras e subsequente compra/aluguel por Estados ou Governo Federal, sendo de grande valia para a drenagem de áreas específicas como rodovias estratégicas, aeroportos e hospitais.

Enchentes no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Acre e Rondônia, ou mesmo acidentes em empresas mineradoras, como em Mariana e Brumadinho em Minas Gerais, são exemplos recentes.  

No mais, analistas com viés conspiratório, apontam que as cidades fantasmas da China, onde dezenas de gigantescos prédios foram finalizados e até hoje nunca ocupados, tem a finalidade de funcionar como uma reserva técnica de emergência no caso de calamidades climáticas, pandemias ou guerras onde milhões de pessoas serão forçadamente deslocadas e realocadas em curtíssimo período de tempo. 

Paralelo ao inflamado debate da iminente terceira guerra mundial, surgem notícias de multimilionários envolvidos em construções de grandes bunkers subterrâneos com autonomia de meses sem contato com o mundo exterior. Há até condomínios de apartamentos nos EUA com estrutura de bunker sendo comercializados. Será que a tendência chega ao Brasil?

(*) Leonardo Santos, Vice-presidente do CRECI-DF e perito avaliador (E-mail: peritocapital@gmail.com | Instagram: @leonardosantos.corretor) e (**) Marcelo Sicoli, conselheiro do CRECI-DF, bacharel em relações internacionais pela UnB, filiado a NAR (National Association of Realtors - EUA), gestor predial com prêmios no Brasil e exterior (E-mail: marcelosicoli@hotmail.com | Instagram: @marcelosicoli).

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