Segurança
Tiro em condomínio
Modelo é preso no RJ após vizinhos terem ouvido disparo
Por Mariana Ribeiro Desimone
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Casos de disparo de arma de fogo dentro de condomínios são raros, mas expõem um limite que quase nenhum regimento prevê: o síndico não tem poder de polícia. Diante de arma, ameaça ou conflito com risco à integridade de alguém, a atuação do condomínio é registrar, comunicar e acionar a autoridade competente — nunca intervir.
Vizinhos dizem que modelo que atirou em condomínio de luxo já foi visto com arma outras vezes
Eles contaram que disparos ocorreram após briga; Jacomossi diz que foi uma comemoração
Vizinhos do condomínio Joatinga, na zona sul do Rio de Janeiro, onde o modelo catarinense Álvaro Jacomossi Junior, 32 anos, atirou na tarde do último sábado (22), disseram que esta não foi a primeira vez que ele foi visto armado no local. Segundo uma vizinha, que prefere não se identificar, imagens do circuito interno de segurança mostram Junior apontando a arma para a mãe de Camila Lamoglia, 32 anos, com quem ele tem um bebê recém-nascido. Ela contou ao R7 que ouviu o modelo discutindo com a senhora minutos antes de atirar para o alto.
— Ele é uma pessoa transtornada. Eu estava em casa, com a janela aberta, quando ouvi ele discutindo com a mãe da Camila e dando quatro disparos para o alto. Ele não mora lá, mas teve um filho recentemente com ela. Ele já foi visto no condomínio outras vezes armado. Quando eu ouvi os disparos, avisei na portaria. O caseiro de uma vizinha também seguia para a portaria para avisar que ouviu. As imagens mostram ele apontando a arma para a mãe da Camila.
Segundo um outro vizinho, que também prefere não revelar o nome, na delegacia, a mãe de Camila teria dito que o modelo toma remédios controlados e que estaria descontrolado naquele dia.
Moradores do condomínio registraram o momento em que Junior correu para a praia da Joatinga, tentando fugir. Na delegacia, o modelo negou ter fugido. Por meio de nota divulgada por sua assessoria, ele disse que os acontecimentos ocorreram de forma diferente.
— Depois de abordado em casa pela policia, fui até a delegacia, prestei depoimento e fui liberado para voltar para casa e dormir com meu filho, que acabou de chegar ao mundo. Meu avô foi um grande colecionador de armas, gosto do assunto,e já tive muitas replicas de chumbinho, mas não porto arma de fogo. Quero salientar que todos os outros detalhes restantes que li nas notas, são inverdades e floreios completamente insanos. Eu, minha mulher e meu filho estamos bem, curtindo esse momento especial juntos.
Ele afirmou que os disparos foram feitos mas com “arma de chumbinho”, depois de chegar em casa com a mulher e o filho recém-nascido para comemorar o acontecimento.
— Ontem chegamos cedo da maternidade com nosso filho nos braços. Chegamos na casa da minha sogra e, ainda em estado de euforia e comemoração, disparei dois tiros para o alto com uma arma de chumbinho em um lugar ermo e sem qualquer perigo, dentro do Condomínio. Não houve briga, como foi publicado, e muito menos a arma era de fogo. Confesso que estava eufórico e agi de forma imatura, mesmo se tratando de uma arma de chumbinho, mas não imaginei tamanha repercussão.
A Polícia Civil irá analisar as imagens de câmeras de segurança do condomínio de luxo no Joá.
Jacomossi foi levado para a Delegacia da Barra da Tijuca (16ª DP), onde foi autuado por disparo de arma de fogo, pagou fiança de R$ 1.866 e foi liberado. A arma utilizada por ele não foi encontrada.
Carreira internacional
Álvaro Jacomossi Junior nasceu em Blumenau (SC), em 16 de maio de 1980. Com 1,86 m de altura e olhos castanhos, já representou dezenas de marcas internacionais e atingiu o terceiro lugar entre os melhores modelos do mundo, segundo o site models.com.
Ele se casou em 2002 com a modelo curitibana Isabeli Fontana, com quem tem um filho. Em 2004, os dois se separaram e Isabeli ficou com a guarda do menino. Do namoro com a modelo holandesa Sharon van der Knapp, em 2005, nasceu sua filha caçula, Liv Sky Jacomossi.
O nome de Liv está tatuado em seu braço e o de Zion adorna suas costas. As outras tatuagens que tem no corpo são de um rosto cercado de chamas, do deus indiano Ganesha e um desenho tribal. O nome de sua mãe, Miriam, que morreu em decorrência de um câncer no cérebro quando Álvaro tinha nove anos, também está gravado na pele.
O que o condomínio pode fazer diante de arma de fogo
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Acionar a polícia imediatamente. Situação com arma é ocorrência policial, não questão condominial. Ligar 190 é o primeiro passo, não o último.
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Não abordar, não desarmar, não confrontar. Vale para o síndico, o zelador e o porteiro. Nenhum funcionário do condomínio tem treinamento nem dever legal de intervir.
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Registrar tudo. Data, hora, local, o que foi visto, quem presenciou, imagens de câmera preservadas. O registro é o que sustenta qualquer providência depois.
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Preservar as imagens. Sistemas gravam em ciclo e sobrescrevem. Extrair e guardar o trecho é providência das primeiras horas.
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Comunicar formalmente os envolvidos depois do fato, por notificação escrita, quando couber providência condominial — como multa por perturbação ou por conduta antissocial.
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Levar à assembleia quando o caso envolver conduta antissocial reiterada. A penalidade mais grave exige deliberação, não decisão isolada do síndico.
O que o condomínio não pode fazer: revistar unidade, apreender objeto, impedir a entrada de morador, ou decidir sobre posse ou porte de arma. Porte legal de arma não é matéria de convenção.
Perguntas frequentes
O que fazer se houver disparo de arma em um condomínio?
Acionar a polícia imediatamente. Nem o síndico nem os funcionários devem abordar ou tentar conter a situação. Depois, registrar a ocorrência por escrito e preservar as imagens das câmeras.
O síndico pode proibir um morador de ter arma em casa?
Não. Posse e porte de arma são regulados por legislação federal e não são matéria de convenção condominial. O condomínio atua sobre a conduta — ameaça, perturbação, risco a terceiros —, não sobre a posse em si.
O condomínio pode multar por conduta que envolva ameaça?
Pode, na forma da convenção, precedida de notificação e registro. Em caso de conduta antissocial reiterada, a penalidade mais grave depende de deliberação em assembleia.
Por quanto tempo as imagens das câmeras ficam guardadas?
Depende do sistema — a maioria sobrescreve em poucos dias ou semanas. Em qualquer ocorrência grave, extrair e preservar o trecho é providência das primeiras horas.
O porteiro deve intervir em um conflito entre moradores?
Não. Deve acionar a polícia e o síndico, e registrar a ocorrência. Nenhum funcionário do condomínio tem treinamento ou dever legal de intervir fisicamente.
Fonte: http://noticias.r7.com