quarta-feira, 29 de julho de 2026
A síndica profissional Renata Simão Barbosa registrou ocorrência policial após relatar ter sido vítima de agressão física, ameaças e perseguição no Rio de Janeiro. Segundo a gestora, os episódios teriam ocorrido após uma assembleia de prestação de contas em que ela foi reeleita para o cargo com ampla maioria dos votos dos moradores.
De acordo com Renata, os conflitos já vinham acontecendo antes da assembleia.
"Ela já vinha me perseguindo, mandando mensagens e dizendo que eu não iria continuar no condomínio. Ela e o marido não aceitavam a forma como eu estava conduzindo a gestão", relata.
A assembleia, realizada no dia 25 de julho, aprovou a prestação de contas, a composição do conselho e confirmou a permanência de Renata como síndica. Segundo ela, após o encerramento da reunião, a moradora teria permanecido do lado de fora do condomínio acompanhada do marido.
"Eu fui reeleita por uma votação esmagadora. O conselho também foi aprovado. Eu estava apenas fazendo o meu trabalho da forma correta, como a gestão deve ser feita, mas eles não aceitavam", afirma.
Segundo o depoimento prestado pela síndica às autoridades, após deixar a assembleia e retornar ao condomínio onde mora, ela teria sido seguida pelo casal em uma motocicleta. Renata relata que as agressões começaram na área externa do prédio, diante de testemunhas.
"As pessoas tentaram me tirar de perto e separar a situação, mas ele dizia para deixarem 'as duas se resolverem'. Uma moradora conseguiu me tirar e eu entrei no condomínio, mas a porta ainda não tinha fechado e as agressões continuaram dentro do prédio", conta.
O caso foi registrado pelas autoridades e segue em apuração. Segundo Renata, imagens de câmeras de segurança, testemunhos e outros materiais foram apresentados para auxiliar na investigação.
O Clube W Condo, comunidade formada por mulheres que atuam e transformam o mercado condominial, divulgou uma nota de repúdio ao episódio e manifestou solidariedade à síndica. A entidade ressaltou que casos de agressões, ameaças e intimidações contra síndicos e síndicas não podem ser tratados como situações isoladas.
Para a organização, episódios desse tipo têm se tornado uma preocupação crescente em todo o Brasil.
"É impossível não sentir indignação diante de uma situação como essa. A violência contra síndicos e síndicas infelizmente vem se tornando recorrente, e precisamos refletir: para onde estamos caminhando? Esses profissionais assumem uma função de liderança, responsabilidade e tomada de decisões, mas muitas vezes exercem seu trabalho sem a proteção necessária", destaca Dil Melo, fundadora do W Condo e creator do SíndicoNet.
Segundo Dil, os impactos vão além das lesões físicas.
"O dano físico tem tempo de cura, mas o psicológico é uma consequência imensurável. Uma situação como essa deixa marcas profundas e gera insegurança para quem exerce uma função de liderança dentro de um condomínio. Por isso, é fundamental avançar na criação de mecanismos que garantam mais segurança e respaldo aos profissionais do setor."
Ela conclui defendendo mudanças estruturais para prevenir novos casos.
"Precisamos discutir regras mais claras, medidas de proteção e uma mudança de cultura dentro dos condomínios. Divergências fazem parte da convivência, mas ameaças e violência jamais podem fazer parte da gestão condominial."
A Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (ABADI) e o Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi Rio) divulgaram uma nota conjunta de repúdio à agressão sofrida pela síndica Renata Simão Barbosa após uma assembleia de prestação de contas e sua reeleição para o cargo, em um condomínio no Rio de Janeiro. Confira a íntegra da manifestação:
A Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (ABADI) e o Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi Rio) manifestam seu repúdio ao episódio de agressão sofrido pela síndica Renata Simão Barbosa após a assembleia de prestação de contas e sua reeleição para o cargo, em um condomínio no Rio de Janeiro.
Inicialmente, é importante reforçar que toda forma de violência é inadmissível e não pode ser tolerada em ambientes que devem ser pautados pelo diálogo e pela convivência civilizada. Divergências fazem parte da rotina condominial, mas jamais podem ultrapassar os limites do respeito às pessoas e às instituições.
Quando a violência substitui o diálogo, toda a comunidade perde. A agressão a uma síndica representa também um ataque ao respeito, à convivência e ao trabalho daqueles que assumem a responsabilidade de administrar os interesses coletivos. Não podemos permitir que o medo se torne parte da rotina de quem se dedica à gestão condominial.
A ABADI e o Secovi Rio reafirmam, ainda, seu reconhecimento à relevância do trabalho desempenhado pelos síndicos, que assumem diariamente a responsabilidade de administrar patrimônios, zelar pela segurança, pelo cumprimento das normas e pela boa convivência entre os condôminos. O exercício dessa função exige dedicação, equilíbrio e compromisso com o interesse coletivo, razão pela qual deve ser cercado de respeito e garantias para que possa ser desempenhado com segurança, sem qualquer forma de intimidação ou violência.
As entidades enfatizam que episódios como esse devem ser minuciosamente investigados pelas autoridades competentes, contribuindo para prevenir a recorrência de casos de violência e fortalecer a convivência pacífica nos condomínios.
Conteúdo SíndicoNet